Workshop sobre Educação Financeira

Autor de treze livros e Pastor na cidade de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, o Pastor Arão Xavier ensina sobre educação financeira há aproximadamente dezessete anos, motivo pelo qual recebeu o convite para ministrar Workshop sobre esta temática na Ideps Águas Claras, onde três momentos distintos, nos dias 21 e 22 de janeiro de 2018, contribuíram ao entendimento acerca da conquista da saúde financeira, a partir do ensino, da técnica, da administração; do embasamento espiritual; e da prática de determinados princípios.

Após a leitura de Genesis 21, o conceito de prosperidade foi distanciado da mera posse do dinheiro, é algo que transcende, que leva em consideração outros fatores, como a família, o relacionamento com Deus, a saúde financeira, o estado emocional, de forma que a confusão entre prosperidade e dinheiro necessita de compreensão para o entendimento da ideia sobre o que nos faz feliz de fato.

Entre as múltiplas causas que fundamentam a riqueza no contexto político, econômico e social, os quais merecem conhecimento e aprofundamento teórico, o Pastor frisou a boa administração e a fidelidade aliada à honra a Deus como as bases da vida financeira saudável. A tese levantada foi a de que nova realidade experimenta-se ("tudo desata"), quando a decisão de ser fiel é posta em prática e o indivíduo torna-se qualificado, no sentido de experimentar Deus como o provedor.

Ao lançar a ideia de que um balde com furo não se mantém cheio, a crítica à má administração das rendas pelo pregador não poupou os gastadores, os quais foram advertidos de que não há bênção advinda do céu que resolva a incapacidade individual de gestão dos próprios ganhos. Boa administração por si, entretanto, não resolve. São necessárias as bênçãos de Deus. Segundo o Pastor, o problema da teologia de prosperidade é o ensino do que denominou de compreensão de "uma única perna".

Em outro momento da pregação, a boa administração encontrou exemplo em José. Antes, porém, explicaram-se as diferenças entre os três tipos de sonhos (fato ocorrido em dia anterior, revelação de Deus, ou algo repetitivo, este desde a infância, o qual exige acompanhamento profissional). Ao voltar ao livro de Genesis, a vida de José, cercada de sonhos, foi modificada ao interpretar os sonhos de Faraó: as sete vacas gordas e sete vacas magras e as sete espigas secas e as sete espigas boas tratavam-se de único sonho (Gn 41.25-26), era sobre o contexto de fartura e fome no Egito. O dom de José, dado por Deus, interpretou o quadro econômico dos próximos catorze anos, advindo do sonho de Faraó.

Entre os achados do texto bíblico, a boa administração das rendas passa pela necessidade de capitalizar 20% dos valores de entrada, no sentido de se conseguir a subsistência da nação em sete anos de privações que estavam por vir: o plano econômico de José, que o consagrou como uma espécie de novo ministro da economia. Se no contexto mundial, a fome generalizava-se, o Egito emergiu como potência econômica, quando passou a ser o provedor das necessidades básicas de outros povos. Lembremos que José foi vendido como escravo pelos irmãos em função de ciúme na relação entre ele e Jacó, seu pai. Jacó envia seus outros filhos ao Egito para comprar alimentos e resolver seu problema familiar.

Separe a quinta parte, poupe. No entanto, praticar princípios dá trabalho, necessita de planejamento e corte de gastos com desejos pessoais associados a mais trabalho com investimento do dinheiro. A maioria das pessoas gasta tudo quanto ganha, e o pregador trouxe a estatística que a cada dez pessoas, oito utilizam cheque especial. Na sociedade salarial brasileira, pauperizada, sem acesso a direitos básicos, com remuneração rebaixada, socialmente desprotegida, seria possível enriquecer? Outro desafio posto no ensinamento, talvez o central, foi o de discernir determinado nível de contentamento, a partir do equilíbrio, já que, no plano geral, criamos necessidades e desejos à medida que aumentamos nossas rendas, quando desejamos outro padrão de consumo com aumento dos custos. (Re)pense.

A vida é cíclica, entre montes e vales, a economia é cíclica e composta de crises, estas inerentes ao modo de produção vigente, em sistema tributário injusto, com ampla concentração de renda, desigualdade. A mais recente das crises ocorreu em 2007-2008, dos Estados Unidos para o mundo (as empresas ponto com e crises imobiliárias), uma espécie de bolha fantasma, alimentada por tubos de ar, mas que tinham furos. Não foi "marolinha" e os impactos ainda se sofrem no Brasil com amplo índice de desemprego e perda de poder de compra da classe trabalhadora.

Como bem disse o pregador: riqueza não some, ela migra, é energia em movimento, onde o lucro é maior, maior o investimento de grandes empresários, ainda que não importe os meios, quando se quer determinado fim. Encontramos isso nos livros de Economia Política. Em consequência, às vezes, há a superexploração de determinados grupos (como chineses, latinos, etc.) para a conquista do lucro máximo.

Em outro momento do Workshop, a parábola do semeador comparece para explicar que o problema não é a semente, mas quem a recebe. Há tantos que ouvem e não tem revelação da palavra, um dos principais problemas da Igreja. Ouça, internalize, aplique. A partir da interpretação do Pastor acerca de Genesis, da criação e o que entende por "recriação", o espiritual foi posto no centro da discussão, quando Lúcifer promoveu um golpe de Estado em Deus, levando com ele um terço dos anjos.

O Pastor Arão levantou a hipótese de que habitamos a Terra porque aqui Lúcifer caiu por querer ser Deus, quando a Terra entrou em caos e o Espírito Santo passou a pairar. A criação do homem e a posse do trono na Terra foi estratégia para se desfazer as obras de Satanás na Terra. É a ideia do homem e o domínio da Terra, com a implantação do Reino de Deus neste planeta.

A criação do homem ocorreu de forma única com espírito, alma e corpo e, com o pecado, houve a necessidade de se sustentar para a manutenção do corpo. Antes da queda, lembra o pregador, não se comia carne, não havia cadeia alimentar, já que os homens comiam os frutos das árvores e os animais ingeriam grama. Ao falar sobre o Éden, o Pastor afirmou que sua localização geográfica provavelmente é a Macedônia hoje, quando ponderou ser esta a provável localidade, onde se estabeleceu a base montada por Lúcifer.

Adão e Eva no jardim. O fruto proibido da árvore no centro do lugar não deveria ser comido. Satanás, por meio da serpente, declarou que Deus estava mentindo acerca da morte após a ingestão do fruto, quando afirmou que diferente da morte, o consumo da fruta tornaria o indivíduo como Deus. O Pastor esclareceu que Eva não caiu porque comeu o fruto. Ao comer, ela já estava caída, porque desejou ser como Deus, esta a mesma síndrome de Lúcifer.

Em tempo, houve a mudança do padrão de sustentabilidade das frutas para a posse do equivalente geral para trocas comerciais, uma das consequências do pecado cometido por Adão e Eva. Em síntese da palavra, o Pastor afirmou que o dízimo e a oferta foram instituídos antes da criação humana. A árvore no centro do Éden era a fonte de sustentabilidade. Ao não entregar o dízimo, conscientize-se de que está comendo o elemento de sustentabilidade: a relação feita pelo Pastor não restou dúvidas - o dízimo como o fruto da árvore da vida. Caso decida viver do seu próprio modo, o pregador sugere que não se peça nada a Deus, caso escolheu ser autoprovedor, então, não há lógica em solicitar socorro nos momentos de angústia. Escolher não entregar o dízimo traz uma consequência de difícil digestão: a gente se torna parecido com Adão e Eva.

Se boa administração junto com a fidelidade são essenciais, o Pastor, na última ministração do Workshop, desvelou as consequências do amor a Deus e a seus princípios, é uma combinação que não cabe jeitinhos. No exemplo, foi destacado que cantamos e adoramos porque amamos Deus e amamos a música. Muitos fazem coisas na Igreja porque gostam do que fazem, algo individual. Amor aos princípios não é um peso.

Foi possível relembrar que Jacó, o suplantador, não enganador, fez tudo para conseguir as bênçãos, diferente de Esau que lutava para garantir o acesso aos direitos de primogenitura. Ao trazer a comparação da liturgia do culto a Deus e a forma como se adora em outras religiões, o Pastor chegou a conclusão de que o mundo espiritual tem a sua forma própria de agir.

Na sequência, ele chamou atenção da importância do louvor que leva a Igreja à adoração, quando Deus desce, temos a oportunidade de tributar e abre-se a porta do mundo espiritual para pedirmos. Logo, liberte-se da ideia que tenta aprisionar, no sentido de se levar oferta a Deus com interesse em algo em troca. O conceito de interesse deve ser aprofundado, nem sempre é negativo, pode se tratar da relação entre propósito e interesse. Deus, todavia, conhece os corações e sabe aferir as ofertas apresentadas a ele. Não se faz só por interesse. Deus nos incita a verificar: traga os dízimos e as ofertas e aproxime-se do que mais deseja a tua alma.

Para que tanta luta em se tornar rico, num mundo em que há tantas injustiças e guerras por território, poder e dinheiro? Em meio a tantos com pensamentos e formas de agir diversas que estabelecem a Igreja de Cristo, não há dúvidas de que um grupo faz a crítica do uso do microfone para compartilhar informações sobre como ser afortunado. Recentemente, pesquisa demonstrou que um assalariado (quem ganha um salário mínimo por mês) teria de trabalhar dezenove anos para obter o que um rico recebe em apenas um mês. É só conferir o relatório "A distância que nos une". Sem falar que não existe equidade no acesso aos direitos no país, como um jovem pobre, estudante de escola pública, terá a oportunidade de igualdade na disputa por jovens privilegiados economicamente com acesso aos melhores bancos escolares? Não falamos em casos isolados, mas uma tentativa de universalizar o debate a partir do exemplo. Essa é a realidade política, econômica e social brasileira, precisa ser problematizada. Não fechemos os olhos a isso.

De posse deste pensamento, algo foi confortante: muito embora o individualismo impere nas mentes, ser rico para satisfazer todos os desejos pessoais, o Pastor foi ao ponto central e isso, independentemente de qualquer posicionamento político que tenhamos, concordamos e faz querermos avançar: ser rico para contribuir cada vez mais na obra do Senhor. Isso é o central. Que aprendamos!

 

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