Seminário de Finanças - Arão Xavier

A Bíblia também é manual de finanças, utilizada pelo pastor Arão Xavier (Ribeirão Preto/SP) nas ministrações, para revelar acerca da relação que devemos ter com o dinheiro. Convidado pelo pastor Sinval de Souza, presidente do Ministério Ideps, o pastor Arão trouxe as reflexões do seu seminário de finanças. Em outro momento (janeiro/2018), foram compartilhados os passos da experiência de uma vida com saúde financeira (honrar a Deus com todos os ganhos; poupar 1/5 da renda; não dizimar representa, contemporaneamente, comer o fruto da árvore da vida). Já no mês de junho de 2018, o pastor Arão revelou as "4 leis da multiplicação financeira", advindas das suas experiências pessoais e pastorais - semente, plantio, investimento e colheita -, fundamentos teórico-metodológicos que, se utilizados, promovem alterações socioeconômicas importantes.

Nos dias 11 e 12 de novembro de 2018, a terceira etapa do seminário foi dividida em três momentos distintos. O pastor Arão revelou parte da biografia do rei mais sábio e rico conhecido na história de Israel. Salomão foi colocado no centro do seminário, quando o auge do seu reinado, herdado por seu pai (Davi), ocorreu por volta dos 40 anos de idade. Em função do seu pai, Salomão conviveu com comparações, de forma que, não à toa, solicitou a Deus porção de sabedoria para acomodar o próprio equilíbrio.

Embora sarado de alma, conforme o pastor Arão ponderou, o pai como "competidor" exigiu atributos pessoais qualificados em Salomão. Como resgate histórico, a relação entre Davi e Saul foi relembrada: este foi apresentado como inseguro, desejoso da morte do "inimigo", com história de vida marcada pela decisão de se esconder. A Bíblia narra a transição do reinado de Saul a Davi, quando a desobediência aos princípios foi determinante à mudança do representante oficial de Israel como nação.

Salomão teve de sobreviver a um "mercado de trabalho" competitivo, concorria com os irmãos interessados em assumir o trono. A necessidade era se tornar o melhor. Em relações sociais tão desiguais, o pastor Arão Xavier contextualizou o capitalismo como modo de produção, em que as competições são por sobrevivência, visto que há necessidades e desejos a serem satisfeitos, quando devemos agregar potencialidades em tantas disputas do mundo do trabalho, com "rivais" que partem de diferentes pontos (alguns privilegiados): é guerra.

As raízes e as fontes formadoras (família, sociedade, forma de governo) forjaram o perfil pessoal e profissional de Salomão. Sublinham-se as suas dificuldades familiares: o pastor Arão afirmou que a mãe de Salomão era "incerta", e a história do seu pai, Davi, em que pese os grandes feitos à condição livre e forte de Israel por suas decisões, permeava adultério e planejamento da morte do amigo, Urias, em função do desejo sexual do rei Davi por Bate-Seba, esposa daquele.

Salomão tornou-se rei da maior potência econômica do mundo antigo, similar aos EUA de hoje. A partir do título de Eclesiastes 11, façamos o que é bom no tempo oportuno, o texto original é iniciado a partir de um comando: lança o teu grão (não pão!) sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Israel era o maior produtor de trigo do mundo, de forma que o que estava em jogo era a necessidade de jogar no mercado um produto terminado como estratégia de enriquecimento, ideia de comercialização além das fronteiras para a conquista de novos territórios, na intenção de ser referência também a outros povos. É o modelo chinês atual como política econômica, muito embora a forma como isso se dá na China hoje, por meio de trabalho análogo ao escravo, deva ser problematizada: os fins não devem justificar os meios - a ver a relação cuidadosa de Salomão com os seus servos.

O cuidado na interpretação dos termos é minucioso no pastor Arão Xavier. Não se trata de mero preciosismo, pois há situações em que a tradução pode ser distante da realidade do original. Este ponto de partida deve ser copiado, quando também nos comunicamos: cada palavra tem o seu significado, sendo que a utilização errada talvez seja o motivo de problemas. Dito isso, lançamento, produto e qualidade são três termos que estão na base da prosperidade de Salomão. Lançar significa colocar-se à disposição, colocar-se no mercado, sair da inércia, num contexto em que era necessário lançar-se ao mercado das águas. Embora o lançamento seja risco, a zona de conforto não alcançará patamares desconhecidos em mercado permeado por concorrências: preenche os territórios quem apresenta planejamento e ações mais arrojados.

O lançamento nas águas também depende do tipo do produto, o que exige avaliação contínua daquilo que é ofertado no mercado. Muitas pessoas lançam produtos ou ofertam serviços sem qualidade nas águas, o que causa impacto negativo no consumidor, que cria rejeição, visto que as pessoas se encontram mais exigentes no acesso a mercadorias. Ainda que parte das ministrações tenha sido a grupo específico - empresários e profissionais liberais -, a autoanálise não ficou de fora do seminário de finanças, quando, às vezes, nós somos o produto a ser lançado, de forma que queremos colheita extraordinária, mas não desenvolvemos atributos pessoais para obtermos vantagens comparativas.

Pessoalmente, o produto com qualidade representa a soma de qualidades interpessoais, a apresentação pessoal e o preparo para o mercado de trabalho. Em síntese, seja o melhor entre os seus pares, não numa perspectiva predatória de aniquilação do concorrente com estratégias reprováveis, mas fazer a sua parte para a oferta do melhor produto, seu serviço, o que está disposto a oferecer. Seja o melhor em sua área de formação. Como um produto, qualifique-se, ainda que injustiças, desigualdades, discriminações, preconceitos, deslealdades e concorrências compareçam em tempo que não há espaço aos ingênuos (aqueles que não dispõem de sabedoria). Para alguns, será mais difícil - o gosto da vitória, todavia, será mais saboroso! Quanto mais se cresce, maior é a necessidade de sabedoria; portanto: a depender do momento, sejamos simples como pombas e astutos como serpentes.

Em outro momento de ministração, o pastor Arão discorreu sobre as diferenças entre acepção de pessoas e de atitudes, de modo que traz elementos empíricos que comprovam as consequências positivas dos que apresentam atitudes ao agrado de Deus. Importantes registros das conquistas de Davi, este que tomou muitas atitudes conforme a vontade de Deus, não foram capazes de esconder tantos dos seus pecados; no entanto, foi a única referência de Deus como um homem segundo o seu coração, visto que foi único homem que desejou trazer Deus para "morar" na Terra, que o Senhor habitasse junto aos homens.

O pastor Arão chamou atenção para algo: todo o sobrenatural de Deus é despertado pelo desejo correto e genuíno em concordância ao agrado de Deus. As atitudes que tivermos hoje marcarão as gerações futuras. Logo, a combinação entre desejos e ações são importantes para a mudança de vida: isso em todas áreas.

Na relação entre o desejo e a ação, a rainha de Sabá, ao ouvir a fama de Salomão, quis conhecê-lo, trazendo questões a serem respondidas pelo rei de Israel. Mulher inteligente, monarca da região que conhecemos hoje por Etiópia, onde a idolatria e a feitiçaria denunciavam que estavam longe de Deus. Segundo estudos, o povo de Sabá adorava o Sol. A rainha representa a figura do incrédulo, assim como Salomão a tipologia de Cristo.

No diálogo entre a rainha e o rei, o primeiro contato revela não o que Salomão tinha, mas o que ele era, seus valores, princípios, de modo que as cenas com os enigmas trazidos por ela foram descontruídas pela sabedoria que somente Salomão agregava. Após isso, a rainha de Sabá viu a casa edificada pelo rei.

Ao ver o padrão alimentar, bem como observar a valorização dos servos e criados, e a relação de Salomão com Deus, a rainha de Sabá desmontou-se: ela precisava comprovar pessoalmente os feitos e a sabedoria de Salomão, de modo que apenas ouvir sobre ele encontrava limite em sua incredulidade contumaz. Espantada pelo que viu, ela declarou que era pouco o que havia ouvido sobre ele, de forma que reconheceu a benção sobre Salomão, sublinhando a sua sabedoria, reconhecendo o Deus de Israel. Como consequência, ela doou aproximadamente 4,5 toneladas de ouro, especiarias e pedras preciosas. Em resposta, Salomão devolveu a rainha de Sabá tudo quanto ela lhe pediu, além do que ela mesma havia trazido ao rei. É certo que nunca mais a rainha de Sabá foi a mesma, o que inclui a relação com seus servos, visto que o encontro genuíno com Deus promove mudanças estruturais nas pessoas.

O pastor Arão aproxima a história de Salomão e da rainha de Sabá no campo do existencialismo, quando a categoria vazio existencial é citada para fechar uma questão tão latente na condução das gerações: não ficamos em paz quando o relacionamento com Deus está prejudicado (aqui o cristianismo não coaduna com o existencialismo: fomos criados para adorar a Deus), mesmo que a posse do dinheiro possa ofertar determinado padrão de conforto. A sedução do pecado encontra limite, visto que as paixões (de modo geral, não apenas as românticas), que causam uma demência temporária, acabam. A rainha resolve-se pessoalmente.

Muito embora em 2 Crônicas 9 não seja literal que houve uma paixão da rainha de Sabá pelo rei de Israel, o pastor Arão defende que ela se apaixonou por ele (em função da sua fama, sabedoria, riqueza, relação com Deus e do seu trato com os subordinados), quando, em sua explanação, ponderou que toda mulher, independentemente da sua condição pessoal e socioeconômica, deseja encontrar um homem que lhe oferte segurança. A rainha ficou impressionada, é textual, como que fora de si, acometida de extrema emoção, impactada, gerando transformação na sua maneira de se relacionar com as pessoas. O modelo de Salomão deve ser seguido, busque a sabedoria para se resolver e ajudar as outras pessoas.

A revelação de quem era Salomão promoveu uma guinada na vida da rainha de Sabá. Seus testes enigmáticos não prosperaram à sabedoria do rei, esta dada pelo próprio Deus. Ao buscarmos qualificações espirituais não por vaidade pessoal, mas para contribuir para que as pessoas se aproximem de Deus, algo profundo acontece: a gente se torna irresistível, de forma que as pessoas terão interesse no que temos a dizer. Atenção porque conhecimento é diferente de sabedoria, de forma que vale o esforço na combinação dos conceitos para contribuirmos na liberdade em Cristo nas pessoas. Como representante de Cristo na Terra, Salomão, na relação com a rainha de Sabá, colaborou na mudança de uma ideologia de um povo: sua sabedoria foi o meio pelo qual a rainha conheceu Deus, aceitando-o e promovendo uma revolução onde ela era a representante mais poderosa.

 

 

 


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